terça-feira, 19 de abril de 2016

E quando eu me aposentar?








Faz mais de oito anos que trabalho dentro do Projeto de Preparação de Aposentadoria com o tema de Educação Financeira. Tem sido um processo de reflexão riquíssimo para as pessoas que participam, assim como para minha pessoa também.

Ao final de cada módulo, todas avaliam como um excelente processo de aprendizado, no sentido de que, a discussão do tema possa levar a tomada de decisões importantes na vida financeira. De um lado isto é gratificante, pois sugere que estamos no caminho certo; por outro lado, percebemos o quanto a falta de educação financeira teve um impacto negativo no decorrer da vida ativa dessas pessoas.

Muitos reclamam do quanto teria sido importante que essas reflexões tivessem ocorrido no momento do primeiro emprego. O que se percebe, entretanto, é a presença, na conversa, de algumas crenças que limitam ainda mais as ações dessas pessoas. Coisas do tipo: “Quando me aposentar pensarei direito sobre organização financeira”. Ou mesmo: “Para que me preocupar com dinheiro, se meu objetivo é não fazer nada mesmo”.

Palavras que denotam uma certa desistência em assumirem as rédeas da sua saúde financeira num momento tão importante de transição na vida de cada um. Mesmos aqueles que estão longe da aposentaria, acalentam o desejo: “Quando me aposentar irei viajar o mundo”.  E aí perguntamos: com que dinheiro?

O melhor aprendizado desses encontros é quando percebemos que para curtir nossa qualidade de vida, precisamos de dinheiro. E o dinheiro precisa de cuidado. Sem o devido cuidado, ele some, evapora e se esvai ao sabor dos ventos.  Aturdidos, pomo-nos a reclamar que o valor da nossa aposentadoria é irrisório. Não que não possa ser verdade, mas a verdade é que a falta de cuidado com esse pouco dinheiro é o pior dos pesadelos.

“Então teremos que cuidar do dinheiro mesmo depois de passar a vida trabalhando? Isso vai continuar nos dando muito trabalho” – disse uma de nossas participantes. Se você quer fazer coisas das quais você disse ainda não ter feito, vai ter que ter esse trabalho por muito, muito tempo.


O incrível de tudo isso é que ao final saímos com os ânimos renovados e os votos que iremos finalmente cuidar melhor do nosso dinheiro. Já é um bom começo, mas muitos sobes e desces serão necessários para formar o verdadeiro hábito em que a educação financeira faça parte do cotiando, para tornar a caminhada mais próspera e repleta de qualidade na vida de cada um.


Sartre Santos



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