segunda-feira, 8 de junho de 2020

A falácia dos descontos de pontualidade em taxas condominiais.



Posso deixar de pagar minha taxa de condomínio devido ao Covid-19?




O que é uma taxa condominial e qual o seu objetivo? Bem, a taxa condominial é uma cobrança mensal feita aos moradores (ou inquilinos) de imóvel pertencentes a uma área coletiva fechada e tem por objetivo arrecadar fundos para o pagamento de despesas referentes a utilização das áreas comuns feitas por todos os moradores. É uma taxa EXCLUSIVA para a MANUTENÇÃO das áreas comuns do condomínio. Novas despesas pressupõe a adoção de uma taxa diferenciada que se chama Taxa Extra. Lembrando que a falta da devida manutenção das áreas comuns leva a adoção de taxas extras.

Muito bem, na taxa condominial deverá constar as despesas e reservas para ser rateada entre todos os moradores do condomínio, exclusivamente. Vejamos um exemplo simples. Digamos que eu more em Edifício de 3 andares, com 6 apartamentos. Ok? Imaginemos que as despesas desse condomínio seja a seguinte: R$ 500,00 reais com a limpeza da área comum (escadas) conta de água rateada no valor de R$ 850,00, reserva técnica entre 10% e 20% no valor das despesas algo em torno de R$150,00. Esses valores somados dariam R$ 1.500,00 mensal. Divididos por 6 moradores seria estabelecido uma taxa condominial no valor de R$ 250,00 por mês. Qual a razão para cobrar o valor de R$ 300,00, se com o desconto de pontualidade ficaria R$250,00? Sabendo que o atraso no pagamento gera também multa de 2% mais mora de 1% no mês, considerando o que prescreve o Código Civil, pergunta-se:  Evita a inadimplência? Deve obter lucro em cima dos condôminos? Burlar receitas? Facilitar o desvio de recursos?

Mais um cálculo. Se você pagar os 250 reais na data do vencimento está tudo certo e você fez a sua obrigação, pois é para benefícios de todos que serve a taxa de condomínio. Até aqui tudo bem. Mas você atrasa, esquece de pagar ou é mal pagador mesmo. O que acontece? Em um sistema de cobrança normal você vai pagar multa e juros previamente estabelecidos. Quanto mais você demora pagar mais alto os juros vão ficar. No caso da taxa condominial com desconto de pontualidade a questão é mais cruel. Vamos para o nosso exemplo.

O certo e justo é pagar os 250,00 como obrigação. Se atrasar a data do vencimento você vai pagar no primeiro dia de atraso 250 mais 5 mais 0,8, no total de 255,08 reais. Caso incorpore os 50 reais do desconto de pontualidade, você vai pagar 306,10 reais, o que sugere uma multa não mais de 2%, mas de 22%. Ora pois, a quem interessa uma cobrança tão absurda e usurenta? Com certeza esse não é interesse da coletividade, tendo em vista que isso poderia ensejar enriquecimento ilícito e espúrio do condomínio (só para exagerar!)

Há uma falácia grande ao afirmar que o desconto de pontualidade zera os casos de inadimplência. É mais uma política de imposição de medo e pressão do que qualquer outra coisa. E isso vale para qualquer outro tipo desse de cobrança (aluguel, por exemplo).
O instituto justo para afastar a inadimplência já está estabelecido: o primeiro os juros e a mora e o segundo o sistema judiciário.

Sartre Santos

@sartresantos (instagram)
@sartrecoach (


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Caçadores de boas notícias



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Uma grande doença tomou conta da nossa vida financeira: as expectativas das boas notícias. Pareceu-lhe que isto de certo modo é bom. Você, assim como a maioria das pessoas, acredita que o pensamento no positivo e a crença pura e simples de que as coisas vão dar certo, irão dar certos de qualquer maneira. Óbvio?

Nada de óbvio, a caça às boas notícias se deve em grande parte a nossa fuga em fugir dos problemas que nos assolam e das preocupações que nos arrodeiam. Queremos acreditar que a mudança da previdência não afetará a saúde mental e física, de que o a baixa dos juros deixará o salário mais valorizado, de que os políticos (assim como nossa aristocracia) de fato pensam no povo.

Ao jogar para fora de nós os males que nos assombram, tornamo-nos presas fáceis de um mercado voraz para sugar nossas parcas economias e de uma cultura que beira ao estelionato. Ops! Não quero ser tão cruel com a gente mesmo. Entretanto....

Nem tudo está tão perdido assim. O que eu quero dizer com isso é que você, algumas vezes, não é CULPADO por aquilo que acontece com você. Faz sentido? Entretanto você é RESPONSÁVEL por tudo aquilo que acontece com você. Mesmo quando alguém sacaneia com você, mesmo não sendo culpado, você é responsável de como se comportar depois disso tudo.

Na sua vida financeira é do mesmo jeito, meu caro! Você pode até não ser culpado por suas dívidas (em parte), mas é responsável pela situação que se estabeleceu. Buscar culpado não resolve o seu problema financeiro (ou qualquer outro que seja – se sua mulher lhe botou chifre, se bateu o carro, etc). O que resolve é assumir que você está “lascado” mesmo, encarar de frente a m* de todos os problemas gerados e partir para ação.

Você pode não fazer nada. Pode! Aqui as consequências são bem doloridas. Agora, se partir para ação, aprende uma coisa de uma vez por todas, a competência e o aprendizado que você tem hoje foi que lhe colocou nessa enrascada, então a primeira coisa a fazer é aprender competências novas e aumentar o seu aprendizado. Não vá com aquela velha ideia de que você “nasceu com o talento nato” para cuidar de dinheiro.

A boa notícia de verdade, por incrível que pareça, é que você pode! E pode realmente acreditar! Pensamento positivo até que parece ajudar, mas é a sua ação que se tornará transformadora da sua vida financeira. Aprenda de novo, de novo, de novo. Não fuja dos seus monstros financeiros. E sempre que preciso, peça ajuda e faça parcerias.



Forte abraço.