“O sistema capitalista não é justo!”. Esbravejam alguns. Não, não é
justo mesmo. Ele é cheio de defeitos, não atende de forma adequada as
necessidades sociais das populações e muitas vezes ele parece premiar os mais
espertos. Mas ainda não inventaram outro igual ou melhor que ele, e que oportunize todas as pessoas
independentemente da classe social, idade, cor, raça, religião, e por aí vai.
O problema do capitalismo é que
ele exige de nós muito mais do que estamos dispostos a doar. Ele exige que
adotemos modelos mentais mais flexíveis. Ele exige que sejamos mais aplicados
aos estudos. Ele exige que dediquemos horas diárias a leitura. Ele exige que a
cada dia que acordamos estejamos cada vez mais ativos para investirmos em nós
mesmos.
Parece até um discurso
individualista. E é. O capitalismo cobra de você aquilo que você faz por você,
primeiro, e se você não está fazendo isso por você, essa cobrança é mais pesada
ainda. Quantas e quantas vezes você se deixou levar por um discurso idealista
de que o dinheiro não traz felicidade, de que o capitalismo é o mal do século.
Mas no final das contas, você se deleita no usufruto das benesses produzido por
este estado capitalista.
Não é uma questão de defesa do
capitalismo por si só. O que estou falando é da maneira como encaramos esse
mesmo capitalismo e de que como extraímos dele o que de melhor ele pode
oferecer para nós e para nossa comunidade. De alguma forma, é certo, extraímos mais
vantagens do que desvantagens dele se colocarmos um novo olhar e tomarmos uma
nova postura frente aos seus desafios.
De verdade e a única coisa que o
capital exige de nós de forma contundente, disciplinada e frequente é que
devemos nos dedicar profundamente ao nosso processo de aprendizado. A educação
em todas as suas dimensões deve ser prioridade, e como tal, condição primordial
para que possamos entender o potencial agregador que tem capitalismo na vida
das pessoas e como ele, enquanto sistema econômico, pode beneficiar todos de
forma generalizada e indiscriminada.
Decerto que não quero pintar um
cordeiro na pele de lobo, mas refletir se não estamos nos acobertando nessa
pele de cordeiro para nos fingirmos de lobo. Por demais nos afligimos por
detrás de nossas amarras ideológicas (que não devem ser esquecidas) para
justificar muitas das mazelas que nos impomos, e que insistimos em por a culpa,
em nosso caso aqui, no capitalismo selvagem.
Sartre Santos
Educador Financeiro AfFin
Financial and Personal Coach
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