terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Dinheiro só para gastar?



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Acredito que a maioria das pessoas quando pensa "dinheiro" costumam trazer por trás o sentido de apenas gastar. E gastar, gastar, gastar foi o que mais nos ensinaram em nossa vida financeira. E o que tem de errado em dizer que o dinheiro é só para gastar?

Talvez podemos dizer que a principal função do dinheiro é você usar, e ao usar o dinheiro você está gastando ele. De pronto o dinheiro é só para gastar. E aí é que mora o perigo, daqueles sorrateiros onde você menos espera já caiu em suas armadilhas. E se não é para gastar, é para que?

Se pensarmos como utilizávamos o dinheiro até a década de 80, vamos sentir uma grande diferença nesses conceitos. Neste período usávamos muito o dinheiro de papel, físico, em espécie. Se tínhamos, usávamos. Muitos deixavam fiado na mercearia, na padaria, nada que fosse custoso cumprir com a obrigação. A vida era mais dura e mais difícil para nossos avós e pais em relação a ter o dinheiro em espécie. E isso mudou muito?

E como mudou! Não mudou a diferenciação em termos de percepção física e virtual, mas toda uma relação das pessoas com o que estamos chamando "gastar“. E se chamar "gastar" já alcunhamos alguns perigos, e este se tornou o maior deles, o vilão dos novos tempos: o endividamento inconsequente. Grande culpa de o dinheiro não existir mais fisicamente, mas de uma relação virtual, impessoal e invisível. Por mais que saibamos o quanto o resultado disso impacta nossa vida em diversas dimensões.

Quando o dinheiro ficou “invisível” com o uso do cartão de crédito, do internet banking, das compras virtuais e assim por diante, nosso modo operandis mudou com relação a compra e consumo. Ficou mais fácil, acessível e extremamente sedutor. Entretanto a maioria extrapola sobre o real valor da existência “física” do seu dinheiro, e o resultado são pessoas doentes sob diversos aspectos: físico, mental, espiritual, familiar, emocional.


Esse adoecimento, não é característica apenas desse período em que o dinheiro de papel prescinde da sua existência nas relações de consumo, mas de como se aprendeu sobre educação financeira desde muito tempo e toda a relação do gastar, gastar, gastar por apenas gastar, sem o mínimo de objetivo, de metas e de realização de sonhos.


Sartre Santos
Educador Financeiro AFin
Coach Financeiro



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