Acredito que a maioria das
pessoas quando pensa "dinheiro" costumam trazer por trás o sentido de apenas
gastar. E gastar, gastar, gastar foi o que mais nos ensinaram em nossa vida
financeira. E o que tem de errado em
dizer que o dinheiro é só para gastar?
Talvez podemos dizer que a principal
função do dinheiro é você usar, e ao usar o dinheiro você está gastando ele. De
pronto o dinheiro é só para gastar. E aí é que mora o perigo, daqueles
sorrateiros onde você menos espera já caiu em suas armadilhas. E se não é para gastar, é para que?
Se pensarmos como utilizávamos o
dinheiro até a década de 80, vamos sentir uma grande diferença nesses conceitos. Neste
período usávamos muito o dinheiro de papel, físico, em espécie. Se tínhamos, usávamos.
Muitos deixavam fiado na mercearia, na padaria, nada que fosse custoso cumprir
com a obrigação. A vida era mais dura e mais difícil para nossos avós e pais em
relação a ter o dinheiro em espécie. E isso
mudou muito?
E como mudou! Não mudou a
diferenciação em termos de percepção física e virtual, mas toda uma relação das
pessoas com o que estamos chamando "gastar“. E se chamar "gastar" já alcunhamos alguns
perigos, e este se tornou o maior deles, o vilão dos novos tempos: o endividamento inconsequente. Grande culpa de o dinheiro não
existir mais fisicamente, mas de uma relação virtual, impessoal e invisível.
Por mais que saibamos o quanto o resultado disso impacta nossa vida em diversas
dimensões.
Quando o dinheiro ficou “invisível”
com o uso do cartão de crédito, do internet banking, das compras virtuais e
assim por diante, nosso modo operandis mudou com relação a compra e consumo.
Ficou mais fácil, acessível e extremamente sedutor. Entretanto a maioria
extrapola sobre o real valor da existência “física” do seu dinheiro, e o
resultado são pessoas doentes sob diversos aspectos: físico, mental, espiritual, familiar, emocional.
Esse adoecimento, não é
característica apenas desse período em que o dinheiro de papel prescinde da sua
existência nas relações de consumo, mas de como se aprendeu sobre educação
financeira desde muito tempo e toda a relação do gastar, gastar, gastar por apenas gastar, sem o mínimo
de objetivo, de metas e de realização de
sonhos.
Sartre Santos
Educador Financeiro AFin
Coach Financeiro
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